Aula 2 – Predicado e verbos

1)      Professor, na oração seguinte – “Há pessoas estranhas no Planalto” –, qual é o predicado? 

O predicado é a oração toda, uma vez que, com o verbo “haver” no sentido de “existir”, não existe sujeito. O verbo é transitivo direto e vem acompanhado do seu objeto direto (“pessoas estranhas”) e o termo “no planalto” é um adjunto adverbial de lugar.

 2)      Professor, não entendi por que “chegava” – na oração “A torcida chegava ao estádio” – não é verbo transitivo indireto?

“Quem chega chega a algum lugar.” Verbos transitivos precisam de complemento, que entendemos como “alguma coisa” ou “alguém”. Nesse exemplo, aparece uma circunstância, isto é, uma ideia de lugar. Em “A torcida chegava ao estádio”, temos um adjunto adverbial de lugar.

 3)      Mestre querido, esta, eu não entendi mesmo! Por que o verbo “continuar”, no exemplo – “O atleta continua em campo” – , é intransitivo? Não seria transitivo indireto? Por que não é um verbo de ligação?

Antes de tudo, lembre-se de que a transitividade é uma propriedade oracional, isto é, depende da oração. Aqui, é intransitivo porque está seguido de um termo que indica lugar.

Transitivos indiretos precisam ser seguidos das expressões “alguma coisa” ou “alguém”, precedida de uma preposição, por exemplo: “a” ou “em” ou “de” ou...

A locução “em campo” dá ideia de lugar – é um adjunto adverbial de lugar –, não podendo, assim, ser o objeto indireto desse verbo.

O verbo “continuar” poderia ser transitivo direto – “continuar alguma coisa” –, mas teria de ser assim: “Ela continua o trabalho.”

Também admite ser um verbo de ligação, mas precisa, depois, de uma noção de estado, qualidade ou condição, por exemplo: “A moça continua triste” e “O tempo continuou ruim.”

4) "O cientista está em um estranho laboratório." - Aqui foi informado que a forma verbal “está” é VI, mas VI não são aqueles que não pedem complemento? Imagino que, nesse caso, o “está” pede complemento, pois ficaria estranha a oração "O cientista está." (está o quê? está onde?).

Ë verdade! Parece incompleto...

Sua maneira de raciocinar está ligada ao uso mais comum do verbo “estar”, ou seja, como verbo de ligação, quando indica uma noção de estado.

a)      “A noite está bonita.” (sujeito + verbo de ligação + predicativo do sujeito) – caso de predicado nominal

No entanto, há outro uso, memos comum para esse verbo:

b)      “A Flavia está?” (sujeito + verbo intransitivo) – caso de predicado verbal

Nesse caso, alguém poderia responder, acrescentando uma noção de lugar, não um complemento, mas uma circunstância:

a)      “A Flavia está em casa.” (sujeito + verbo intransitivo + adjunto adverbial de

lugar) – ainda um caso de predicado verbal.

            Verbos intransitivos só não admitem vir acompanhados de OD e de OI. É normal virem com adjuntos adverbiais e predicativos.

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Amanhã: Aula 3 – Predicados e predicativos


Minicurso de Análise Sintática do Prof. Ozanir Roberti

Todas as explicações apareceram após dúvidas de alunos dos meus cursos/

Aula 1 – Sujeito

1)      Na frase, “O que aconteceu?”, qual é o sujeito?  Professor, socorro!

Você precisa internalizar a ideia de que sujeito é um termo, não necessariamente uma pessoa, uma animal ou uma coisa, mesmo que nós não saibamos o que ele significa ou o que ele substitui.

Compare as estruturas e veja como elas se equivalem:

a)      O menino saiu.

b)      Ele saiu.

c)      Alguém saiu?

d)      Quem saiu?

e)      Isso aconteceu?

f)       O que aconteceu?

Todas são estruturas com sujeito simples – um só núcleo: “O menino”, “Ele”, “Alguém”, “Quem”, “Isso” e ”O que” –  e predicado, que é sempre a forma verbal “saiu” ou “aconteceu”.

 2)      "Consideraram-se todas as hipóteses." - O sujeito é indeterminado?

E, na frase, "Fala-se muito." – Mestre, o “se” é partícula apassivadora? E o muito é sujeito?

 Vamos devagar! No exemplo inicial, temos um verbo transitivo direto; assim, o “se” forma uma voz passiva pronominal. O sujeito (paciente ou passivo) é “todas as hipóteses”; por isso, o verbo está no plural, equivalendo a uma voz passiva verbal: “Todas as hipóteses foram consideradas." Esse é o caso do “se” apassivador.

 Em “Fala-se muito.”, o que temos é um verbo intransitivo, ou seja, um verbo que não rege objeto direto. Então, não é possível formar uma voz passiva, pois só o objeto direto permite tal mudança. Não havendo voz passiva, o sujeito fica indeterminado – “muito” é um adjunto adverbial de intensidade. Nesse caso, costuma-se considerar o “se” como indeterminador do sujeito.

A diferença é só essa: se o verbo que pede objeto direto recebe um “se”, temos o primeiro caso, o do “se” apassivador, mas, se o verbo não pede objeto direto, é o segundo caso, o do “se” indeterminador.

3)      "Dizem que a notícia é mentirosa." – Aqui, pensei que, em "a notícia é mentirosa", “a notícia” é o sujeito da oração. Mas "a notícia é mentirosa" poderia é o sujeito ou o OD da primeira oração? Porque, afinal, quem diz diz alguma coisa. Professor, peço sua ajuda.

Você está quase certa! Há dois verbos, e cada um deve ter o seu sujeito.

Comecemos pela segunda oração, aquela que se liga ao primeiro verbo pela

conjunção subordinativa integrante “que”. “A notícia” é o sujeito, “é”, o verbo de ligação, e “mentirosa”, o predicativo do sujeito. Essa oração funciona como objeto direto do primeiro verbo: “quem diz diz alguma coisa”. “Diz o quê?”

Agora, vamos para a primeira oração, a principal: “Dizem” é exemplo de sujeito indeterminado, pois há alguém que diz, mas não se determina quem é. Isso ocorre com verbos na 3ª pessoa do plural sem determinação do sujeito.

4) “É importante pensar no futuro.” Professor, dois sujeitos?  Como é possível?

Sim. Isso mesmo. Se há dois verbos, são duas orações, logo existem dois sujeitos.

O primeiro verbo é de ligação, “ser”, que vem acompanhado do predicativo “importante”; logo, falta-lhe o sujeito. Assim, o sujeito do primeiro verbo é a segunda oração: [“pensar no futuro.”]. Observe que responde à clássica pergunta: “O que é importante?” 

É o que a Nomenclatura Gramatical Brasileira classifica como sujeito oracional.

Vamos, agora, à segunda oração:

- “pensar no futuro” – é claro que “pensar” é um verbo, então ele precisa de um sujeito. Há alguém que pensa; assim, vemos que o sujeito existe, mas não conseguimos identificar “quem” ou “qual” é.

O melhor é entender que é uma referência a “todos”, ou seja, equivale a “pensarem no futuro”. É por isso que o consideramos indeterminado: ele existe, mas não é uma pessoa ou uma coisa determinada, mas, sim, equivale a “todos em geral”, ou seja, “todo mundo”.

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Dicas 13, 14 e 15 – Aprenda com quem sabe ensinar!

Dicas 13, 14 e 15

13)      “Baseado em que não se sabe, porque os números não socorrem o Banco Central.”

 Será que quem escreveu esse texto não percebeu a falta de uma vírgula antes do “não”?

O pior é que, havendo a pausa, a palavra anterior se torna forte; então, deveria ser “quê”, com acento.

Isso mesmo! A escrita correta seria:

Baseado em quê, não se sabe, porque os números não socorrem o Banco Central.”

  

14)      “Por sua vez, a Rússia advertiu as potencias ocidentais contra qualquer tentativa de ‘aproveitar’ a rebelião.”

 A acentuação gráfica tem regras bem claras, e uma dessa regras estabelece que “palavras paroxítonas terminadas em ditongos precisam do acento gráfico”. Aliás, como o encontro vocálico que encerra a palavra “potências” soa fraco, pode ser falado como um ditongo ou um hiato.

Assim, existe outra regra que também exigiria o emprego do acento gráfico: “palavras proparoxítonas têm de ser acentuadas”.

Portanto, duas regras mandam usar esse acento circunflexo:

“Por sua vez, a Rússia advertiu as potências ocidentais contra qualquer tentativa de ‘aproveitar’ a rebelião.”

15)      “O CEO da OceanGate ignorou um sem número de alertas feitos sobre a segurança do submersível.”

Lá vem novamente o problema do hífen! Esse “sem número” tem o sentido básico, exato de “algo que não tem um número” ou, apresenta um sentido especial, significando “muitos”, “inúmeros”?

É... já que se trata desse sentido diferente, é uma nova unidade semântica, uma palavra nova; por isso, deve-se usar o hífen!

“O CEO da OceanGate ignorou um sem-número de alertas feitos sobre a segurança do submersível.”

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