Novos cursos on-line: início em novembro!

Começo a anunciar, hoje, a criação das primeiras turmas on-line do mês de novembro: "Curso básico de Análise Sintática", cinco vagas, às terças-feiras, às 19h (horário de Brasília) e "Curso de Formação em Revisores”, oito vagas, às quintas-feiras, às 19h (horário de Brasília).

Aos colegas, professores de português, de literatura e de redação, revisores e comunicadores em geral, peço a atenção e a posterior indicação.

Investimento único em cada curso: R$ 400

Informações e inscrições: contato@professorozanirroberti.com.br ou https://www.professorozanirroberti.com.br/

Havendo qualquer dúvida ou curiosidade, comente abaixo e lhe responderei com prazer.


Aula 6 – Agente da passiva, aposto e vocativo

1)      Professor, qual é a função dos dois termos iniciados pela preposição “por” nas frases seguintes: a) A mensagem foi enviada por uma secretária novata; b) a) A mensagem foi enviada por um e-mail desconhecido.

Observe que as duas frases estão na Voz Passiva Verbal, daí a forma com o verbo “ser” mais o particípio de “enviar”. Nas duas, o sujeito paciente ou passivo é “A mensagem” – termo que sofre a ação. No entanto, só um deles é o agente do ato de “enviar”: “a secretária novata”. Assim, esse é um exemplo de agente da passiva.

O outro termo iniciado pela preposição “por” representa o meio pelo qual a mensagem foi enviada; por isso, é um adjunto adverbial de meio.

 2)      "Tu foste repreendido por mim" - Eu inverti como "Eu repreendi você". Está errado porque o “tu” pede o “te”, é isso?

 A frase original está na voz passiva, pois o sujeito “Tu” sofre a ação. Passando para a voz ativa, fica “Eu te repreendi” ou “Eu repreendi a ti”.

Observe a mecânica de mudança dos pronomes na passagem para a voz ativa: o pronome pessoal reto “tu”, o sujeito da frase original, passa a objeto direto; portanto, um pronome oblíquo (não o reto, que só é usado como sujeito), que pode ser “te” (oblíquo átono, com preposição implícita) ou “ti” (oblíquo tônico, que sempre precisa de preposição explícita, daí o “a”). Por sua vez, o antigo agente da passiva (“mim”, pronome oblíquo tônico, precedido pela preposição “por”) tem de passar a ser reto, logo só pode ser “Eu”.

Você foi bem, mas usou a forma de tratamento “você”, que, para nós, brasileiros, é equivalente, apesar de não ser adequado à resposta.

3)      "O rio, a cidade, os campos, tudo mudou." Gostaria de entender por que o tudo é aposto. Realmente, eu tenho a mania de achar que aposto vem entre vírgulas. 

O aposto é um termo que se caracteriza por aparecer como uma forma de repetição. Assim, existem quatro tipos de aposto:

a)      “Flavia, a nova aluna, apresentou várias dúvidas.” – Esse é o aposto explicativo, o mais comum, que vem sempre entre vírgulas.

b)      “Flavia quis conhecer melhor as duas funções: aposto e predicativo.” – Esse é o aposto enumerativo ou distributivo, que vem normalmente após dois pontos.

c)      “A nova aluna Flavia não conhecia esse tipo de aposto.”. – Esse é o aposto apelativo ou especificativo, que, normalmente, aparece sem pontuação alguma.

d)      “Uma explicação, várias estratégias, nada a ajudava a entender isso.” – Esse é o aposto resumitivo ou recapitulativo, que, em geral, vem precedido de vírgula.

4)      “Meu amigo, você recebeu essa mensagem? Faz tempo que não o vejo.”

Professor, é verdade que tem de haver uma vírgula depois de “meu amigo”? 

É sim. Esse é o erro mais comum existente entre comunicações nas redes virtuais!

Reparou que quem escreve está se dirigindo a alguém a quem chama de “meu amigo”? Pois, então, a esse termo chamamos vocativo, que, não importa onde venha, sempre tem de ser separado por vírgula(s): “Você recebeu essa mensagem, meu amigo?” Mesmo que venha em outras colocações: “Você, meu amigo, recebeu essa mensagem?”

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Aula 5 – Complementos e adjuntos

1)      "Convém dizer a verdade às crianças." – “Dizer” é núcleo do sujeito ou do objeto direto? Mestre, nessa frase, eu não entendi a explicação dada no vídeo.

 No vídeo, destacou-se esse exemplo devido à possível confusão entre o sujeito e objeto direto, pelo fato de a oração do verbo “dizer” vir depois do verbo.

Lembra-se daquela estratégia fundamental de fazer a pergunta “O que é que...?” antes do verbo. Isso! Ela nos permite encontrar o sujeito. “O que é que convém?”

A resposta é o sujeito “dizer a verdade às crianças".

Então, essa segunda oração é o sujeito do verbo inicial. [1 – Oração principal; 2 – oração subordinada substantiva subjetiva]. “Dizer”, dessa forma, é o núcleo do sujeito oracional.

Na segunda oração, temos aquele caso não apontado nas gramáticas de sujeito indeterminado, já que não se identifica quem pratica a ação de “dizer”.

Esse, por sua vez, é um verbo transitivo direto e indireto, com os dois objetos: “a verdade”, objeto direto, e “às crianças”, objeto indireto.

 2)      "Nós lhe temos respeito." Se fosse "Nós temos respeito por ele", o "por ele" seria agente da passiva?

 Não! Não seria agente da passiva! Não deixe a preposição “por” enganá-lo.

Ela pode introduzir objetos indiretos, por exemplo: “A moça apaixonou-se por um artista.” Como o verbo “apaixonar-se” é transitivo indireto, o termo preposicionado é o objeto indireto. 

Nos dois exemplos, continuaria sendo parte do objeto direto (“respeito por ele”) e estaria completando o núcleo do objeto direto, ou seja, o substantivo abstrato, “respeito”.

Lembre-se de que adjunto adnominal é termo agente, isto é, aquele que age, que pratica a ação. Veja que “lhe” ou “por ele” é quem sofre a ação de ser respeitado. Quem respeita é o sujeito “nós”.

            Assim, a forma do pronome oblíquo átono “lhe” (com a preposição “por” implícita) e “ele” precedido pelo “por” exercem a função de complemento nominal.

 3)      Poderia, por favor, me explicar melhor por que, na oração "Nós respeitamos as leis de trânsito", o termo "de trânsito" não é complemento nominal, mas, sim, adjunto adnominal? Estou confundindo bastante essa questão.

 Complementos nominais servem para “completar” nomes, ou seja, substantivos – mas apenas os abstratos – adjetivos e advérbios.

A palavra “leis” é um substantivo concreto; logo, não admite CN. Por isso, esse termo é um adjunto adnominal, uma vez que indica um tipo, uma espécie de “lei”.

Vale saber que substantivos abstratos precisam ter uma raiz (= origem) verbal ou adjetiva, o que não ocorre com “leis”: Assim, “solicitação” (ato de “solicitar”) e “beleza” (qualidade do que é “belo”) poderiam ter complementos nominais:

a)      “A solicitação do policial foi meio estranha.” – o termo “do policial” é adjunto adnominal de “solicitação”, uma vez que “o policial solicita”, ou seja, “o policial” é o agente do ato de “solicitar”.

b)      “A solicitação do perdão foi mal aceita por todos.” – o termo “do perdão” é complemento nominal de “solicitação”, uma vez que “alguém solicita o perdão”, isto é, “o perdão é solicitado”.

 4)      "A declaração do ministro teve pouco peso na decisão" e " A declaração de independência mudou a visão geral." - Poderia me explicar melhor a diferença das duas, por favor?

 É o caso mais complexo de diferença entre complemento nominal e adjunto adnominal, já que os dois podem se referir a um substantivo abstrato, no caso “declaração”.

Observe que, se inventássemos uma frase reunindo essas situações, teríamos: “O ministro declarou a independência.”

Veja que, nessa frase, o termo “o ministro” seria o sujeito, e “a independência” seria um complemento verbal, do tipo objeto direto.

Fazendo a conversão, entendemos que, enquanto o primeiro substantivo é o sujeito da ação existente no nome “declaração”, o segundo seria seu objeto, portanto um complemento, agora de um nome.

Outra maneira é ver se a relação entre os termos preposicionados

e o nome a que se referem é de um dos seguintes tipos: agente ou paciente.   

            Veja: “o ministro declarou”; assim, ele é o agente, é quem declara; já, em “a independência foi declarada”, temos o paciente da ação, ou seja, o que foi declarado.

            Isso é suficiente: termos agentes são adjuntos adnominais, e termos pacientes são complementos nominais.

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Aula 4 – Predicados, predicativos e adjuntos adnominais

1)      "Parece que os próximos dias serão bonitos." Aqui não entendi por que o "parece" não é verbo de ligação.

 Simplesmente pelo fato de ele não ter um predicativo. São duas orações, e a primeira só apresenta a forma verbal “Parece”. Assim, ele é um verbo intransitivo, do tipo unipessoal, isto é, que só aparece na terceira pessoa. Veja que seria possível substituí-lo por “Consta”.

A segunda oração, que é o sujeito oracional da primeira (Oração 1: Principal; Oração 2:  Subordinada substantiva subjetiva), tem um verbo de ligação (“serão”) e um predicativo (“bonitos”), que se refere ao sujeito “os próximos dias”.

 2)      O fator principal para um predicado ser verbonominal é ter o predicativo sem o verbo de ligação?

 Isso mesmo!

Predicados nominais têm verbo de ligação e predicativo do sujeito:

a) “A explicação ficou ótima!” – sujeito + verbo de ligação + predicativo.

Predicados verbais têm verbos que não são de ligação, transitivos diretos, transitivos indiretos, transitivos diretos e indiretos ou intransitivos:

a)      “O professor disse a verdade.” – sujeito + verbo transitivo direto + objeto direto.

b)      “O mundo precisa de paz.” – sujeito + verbo transitivo indireto + objeto indireto.

c)      “Todos deram uma desculpa ao mestre.” – sujeito + verbo transitivo direto e indireto + objeto direto + objeto indireto.

d)      “A aula acabou.” – sujeito + verbo intransitivo

Todos não têm predicativo!

E predicados verbonominais têm verbos que não são de ligação acompanhados de predicativo:

e)      “O professor, assustado, disse a verdade.” – sujeito + predicativo do sujeito + verbo transitivo direto + objeto direto.

f)       “O mundo, preocupado, precisa de paz.” – sujeito + predicativo do sujeito + verbo transitivo indireto + objeto indireto.

g)      “Todos julgaram a desculpa dada hipócrita.” – sujeito + verbo transitivo direto + objeto direto (“a desculpa dada”) + predicativo do objeto (“hipócrita”).

h)      “A aula acabou enrolada.” – sujeito + verbo intransitivo + predicativo do sujeito.

3)      O sr. deu como exemplo: "O professor recebeu a aluna carinhoso." Se em vez de carinhoso estivesse carinhosa ou carinhosamente, o que mudaria?

Muda um adjetivo (que se refere ao substantivo “professor”) para outro adjetivo, que se refere à aluna, e para um advérbio (que se refere ao verbo “receber”)!

a)      "O professor (sujeito) recebeu (verbo transitivo direto) a aluna (OD) carinhoso (predicativo do sujeito)." – Predicado verbonominal!

b)      "O professor (sujeito) recebeu (verbo transitivo direto) a aluna carinhosa  (adjunto adnominal) ou a aluna (OD) carinhosa (predicativo do objeto)." – No primeiro caso, sem pausa no falar, o predicado é verbal; no segundo, com pausa entre “a aluna” e “carinhosa”, já é caso de predicado verbonominal!

c)      "O professor (sujeito) recebeu (verbo transitivo direto) a aluna (OD) carinhosamente (adjunto adverbial de modo)." – Agora, como não tem predicativo, é um caso de predicado verbal.

4)      "O ex-governador cearense chamou o petista de bobalhão." - Nesse caso, eu sou uma das pessoas que achariam que o "de bobalhão" é OI, porque quem chama, chama alguém de alguma coisa. Como fazer para tirar essa impressão? É aquele caso de analisar e entender que a qualidade "bobalhão" não é inerente ao petista?

Repare que não há dois objetos. O “petista” e o “bobalhão” são a mesma pessoa, isto é, o segundo termo é uma qualidade atribuída ao primeiro.

Trata-se de um caso semelhante a outros já vistos. Equivale a dizer que “O ex-governador cearense achou que o petista é bobalhão." Teríamos, assim, duas orações com dois predicados, um verbal e outro nominal.

A evolução da língua criou essa forma de dizer tudo com um só verbo, o transitivo direto, ocultando o verbo de ligação.

É o caso do predicado verbonominal. O uso da preposição “de” deixa a noção de qualidade atribuída bem mais nítida, provocando uma pausa entre essa expressão e o substantivo a que se refere:

"O ex-governador cearense “(sujeito) chamou (verbo TD) o petista (OD) de bobalhão (predicativo do OD)."

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Aula 3 – Predicados e predicativos

1)      Poderia me dar um exemplo de predicativo explicativo entre vírgulas, por favor?

 Claro. Lembre-se de que o predicativo do sujeito mais comum quando vem depois de verbo de ligação – “A aula é excelente!”. Esse não tem vírgula e é exemplo de predicado nominal.

O predicativo do objeto pode trazer alguma dúvida e, embora seja precedido de uma pausa, também não tem vírgula: – “Todos consideraram a aula excelente!”. Agora, temos um predicado verbonominal, pois apresenta um verbo que não é de ligação (verbo transitivo direto, com objeto direto “a aula”), mas tem um predicativo.

Para um predicativo apresentar vírgula e ter valor explicativo, basta aparecer, por exemplo, antes ou no meio do sujeito: “A jovem, surpresa, percebeu que há realmente uma diferença.”

Diferencia-se do aposto por trazer uma noção adjetiva, e não substantiva.

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 2)      "Nós achamos a professora estressada." - Nesse caso o verbo é de ligação?

 Não! Para termos um verbo de ligação, a oração teria de ser assim: “A professora estava estressada.” Só existindo estado, há, depois do sujeito e do verbo, um predicativo do sujeito “estressada”. É um predicado nominal.

O seu exemplo tem um verbo transitivo direto “achar”, com o sentido de “julgar”, e um objeto direto, “a professora”. Assim, ele não é de ligação, apesar de ter um predicativo, o adjetivo “estressada”, que se refere ao objeto. Portanto, é um predicativo do objeto direto, já que “estressada” é uma qualidade ou estado que se atribui à “professora”. É um caso de predicado verbonominal, pois equivale a um período com duas orações, sendo a segunda com um verbo de ligação: "Nós achamos que a professora estava estressada."

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 3)      Mestre, em “Eles faziam um churrasco maravilhoso, essa palavra sublinhada é um predicativo ou um adjunto adnominal?

Não se trata de um predicativo do objeto. “Maravilhoso” é uma qualidade inerente, e não atribuída, ao “churrasco”. Se passássemos para a voz passiva, esse adjetivo permaneceria junto do substantivo: “Um churrasco maravilhoso era feito por eles.”

Outra estratégia eficiente é ver se, numa simples alteração de ordem, o adjetivo fica junto ou separado do nome a que se refere. Se permanecer entre o artigo e o substantivo, é adjunto adnominal: “Eles faziam um maravilhoso churrasco.”

Caso fosse predicativo, ficaria separado.

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 4)      Oi, profe, tudo bem? Nesta oração, as palavras sublinhadas são verbos ou adjetivos? A função é a mesma? “Nós julgamos o problema apresentado resolvido.”

Os dois se originam dos verbos “apresentar” e “resolver”, mas, como “apresentado” e “resolvido” estão depois do substantivo a que se referem, são adjetivos, sendo o primeiro adjunto adnominal, já que se trata de uma qualidade inerente e faz parte do objeto direto (“o problema apresentado”); enquanto o outro é predicativo do objeto, uma qualidade atribuída.

Veja as duas estratégias que confirmam as funções: na simples mudança de ordem, “resolvido” fica separado: “Nós julgamos resolvido o problema apresentado.”; e, passando para a Voz Passiva: O problema apresentado foi julgado resolvido por nós.”, “resolvido” vem depois do verbo.

Observou: “apresentado”, nos dois exemplos, permanece junto de “problema”, é, portanto, adjunto adnominal; entretanto, “resolvido” não fica junto, por isso, é predicativo do objeto.

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